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Uma parceria entre a Alphabet e a SpaceX visa testar a viabilidade de levar data centers de inteligência artificial (IA) para o espaço, um projeto que atraiu investidores durante o IPO recorde da SpaceX.
O primeiro teste ocorrerá em 1º de outubro, com o lançamento do foguete Falcon 9, que transportará um satélite e um protótipo solar com chips do Google.
O Projeto Suncatcher, anunciado pelo Google, busca explorar a viabilidade de uma infraestrutura escalável de aprendizado de máquina em órbita, onde a luz solar é mais abundante. A SpaceX também planeja construir seus próprios data centers espaciais.
Especialistas alertam que, apesar das promessas, a realidade dos data centers no espaço ainda é distante, devido a desafios como custos de lançamento e condições extremas. Contudo, alguns acreditam que a redução dos custos espaciais pode tornar essa ideia viável no futuro, impulsionada pelos investimentos de empresas como Google e SpaceX.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O plano de levar data centers de inteligência artificial (IA) para o espaço foi um dos ganchos que atraíram os investidores para o IPO recorde da SpaceX, em junho, quando a companhia captou US$ 75 bilhões, foi avaliada em US$ 1,77 trilhão e registrou a maior abertura de capital de todos os tempos.
Agora, a empresa de Elon Musk está ganhando a companhia de um outro peso pesado na jornada para transformar essa ambição em realidade: a Alphabet, holding avaliada em US$ 4,1 trilhões e dona do Google.
O embarque oficial dessa parceria rumo ao espaço acontece na quinta-feira, 1º de outubro, quando o foguete Falcon 9 será lançado em órbita da base aérea de Vandenberg, na Califórnia, levando a bordo um satélite e um protótipo movido a energia solar equipado com chips desenvolvidos pelo Google.
Esse lançamento marca o primeiro teste em órbita do Projeto Suncatcher, uma iniciativa que o Google tornou pública no fim de 2025. E que, segundo a empresa, busca explorar a possibilidade de o espaço um dia abrigar uma infraestrutura escalável de aprendizado de máquina.
“Em órbita baixa, os satélites podem acessar luz solar quase constante, gerando até oito vezes mais energia solar do que na Terra. Eventualmente, será possível interligar múltiplas constelações de satélites, permitindo a gestão de cargas de trabalho de IA maiores enquanto estiverem em órbita”, escreveu a companhia, em comunicado.
A SpaceX tem propagado um discurso similar, ao defender o espaço como a melhor alternativa para acompanhar a escala exigida pela IA. No início deste ano, Musk afirmou que esses data centers seriam a maneira mais barata de treinar essa tecnologia e que isso seria realidade em, no máximo, três anos.
Alinhada com essa tese, a Alphabet é uma das grandes investidoras por trás da SpaceX, mesmo sob um cenário onde as duas companhias competem no campo da IA. Segundo a rede americana CNBC, sua fatia na empresa de Musk está avaliada em mais de US$ 82 bilhões – a SpaceX vale hoje US$ 2 trilhões.
A dona do Google já testou os chips a caminho agora do espaço executando cargas de trabalho de IA na Universidade da Califórnia. Entretanto, a companhia ainda não sabe como eles irão se comportar nas condições desafiadoras em órbita baixa da Terra.
No comunicado, a companhia ressaltou que explorar o espaço como um local viável para a computação escalável de IA não acontecerá da noite para o dia. E requer engenharia metódica, começando por comprovar como os equipamentos conseguem lidar com as imprevisibilidades desse ambiente.
“Este primeiro lançamento tem como objetivo verificar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar essas descobertas em missões futuras”, escreveu a empresa.
Do seu lado, a SpaceX anunciou que planeja construir e lançar seus próprios data centers em órbita. Essas estruturas serão compostas por satélites que a empresa desenvolve internamente, equipados com processadores e painéis solares que devem ser produzidos em parceria com a Tesla, também de Musk.
Em meio a esses planos, especialistas do setor mantêm o pé no chão ao afirmar que os data centers espaciais ainda são uma realidade muito distante. Parte deles questiona, inclusive, se esses projetos são viáveis, dado que os lançamentos de foguetes ainda têm capacidade limitada e são caros.
Ao mesmo tempo, eles alegam que esses centros de dados exigiriam sistemas de refrigeração capazes de suportar temperaturas extremas, além de proteção contra radiação e de possíveis obstáculos, como os detritos orbitais. Há quem enxergue boas perspectivas, porém, nessa “viagem”.
“Os custos dos data centers na Terra estão crescendo, enquanto os custos dos centros de dados no espaço vão cair, e, em algum momento, essas curvas se cruzarão”, disse Matthew Weinzierl, autor do livro Space to Grow, sobre economia espacial, à revista americana Fast Company.
“Não sabemos quando, mas os grandes investimentos do Google, da SpaceX e de outras empresas buscam antecipar esse dia”, afirmou Weinzierl, para quem os esforços da dupla são talvez o melhor exemplo de como as forças do mercado podem impulsionar a inovação no espaço.









