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O Itaú BBA identificou onde estão os próximos bilhões da Petrobras


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A Petrobras está diversificando seus projetos de investimento, com o Itaú BBA prevendo um aumento no capex para US$ 22,7 bilhões em 2027 e US$ 22 bilhões em 2028. Apesar de um histórico de subexecução, os desembolsos superaram as expectativas em 2024 e 2025, com a expectativa de continuidade em 2026. A maior parte dos investimentos (mais de 76%) será direcionada ao upstream, com destaque para projetos como Búzios 12 e revitalização de Albacora.

Além disso, a empresa está explorando oportunidades em fertilizantes, biocombustíveis e refino, com foco na autossuficiência em diesel até 2030. A busca pela autossuficiência em diesel é considerada a prioridade mais alinhada com a estratégia central da companhia. Outras áreas, como petroquímica e etanol, apresentam menor alinhamento estratégico e desafios econômicos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Petrobras está ampliando o cardápio de projetos que podem receber investimentos nos próximos anos. O Itaú BBA mapeou as principais frentes dessa expansão e, mesmo diante da perspectiva de um capex maior, calcula um potencial de valorização perto de 35% para a ação, que tem preço-alvo de R$ 64 para o fim de 2027.

A visão é sustentada pela expectativa de uma geração de caixa robusta. Em um cenário de Brent a US$ 75 por barril, o banco estima dividend yield de aproximadamente 15% em 2027 e mantém a recomendação outperform, com a companhia como top pick.

O desempenho das margens internacionais de refino ajuda a sustentar esse cenário. O Itaú BBA avalia que os níveis recordes observados recentemente podem dar proteção à geração de caixa ao sustentar os preços domésticos dos combustíveis por mais tempo, compensando parte do impacto de uma eventual queda do petróleo caso diminuam os riscos geopolíticos e se normalizem rotas importantes de transporte da commodity.

Com mais frentes de investimento no radar, a estatal pode ampliar os desembolsos nos próximos anos. “Os potenciais movimentos de alocação de capital têm ocupado cada vez mais o centro de nossas discussões com investidores, levantando questões sobre quais iniciativas são realmente capazes de alterar a tese de investimento da Petrobras”, afirmam os analistas Eric de Mello, Monique Martins Greco Natal, Eduardo Mendes e Ignacio Sabelle.

A equipe estima que o capex chegará a US$ 22,7 bilhões em 2027 e US$ 22 bilhões em 2028, acima dos US$ 21 bilhões e US$ 20,5 bilhões, respectivamente, previstos no atual plano estratégico da companhia. Apesar dos valores maiores, a expectativa é de trajetória de queda dos investimentos a partir de 2028.

As projeções vêm depois de um período marcado pela subexecução dos investimentos. O relatório aponta que, entre 2016 e 2023, o capex ficou, em média, 18% abaixo do previsto. Em 2024 e 2025, porém, os desembolsos superaram as projeções e, na avaliação dos analistas, 2026 caminha na mesma direção, impulsionado pela aceleração de projetos, especialmente em Búzios.

Apesar da ampliação da agenda, o upstream continua no centro da estratégia. A Petrobras destinou mais de 83% dos investimentos dos últimos dois anos ao segmento e prevê alocar mais de 76% do plano de cinco anos nessa frente. Entre os próximos projetos relevantes, o banco destaca Búzios 12 e a revitalização de Albacora, que somam US$ 11,5 bilhões nas estimativas do Itaú BBA. Margem Equatorial e África aparecem no relatório como as principais fronteiras de exploração.

É fora do upstream, porém, que a lista de possibilidades cresceu. O Itaú BBA mapeia frentes que vão de fertilizantes e biocombustíveis à expansão do refino. Em fertilizantes, segundo o relatório, a Petrobras estuda ampliar a capacidade das plantas existentes. Em uma simulação dos analistas, uma expansão de 2,95 milhões de toneladas anuais exigiria cerca de US$ 4,8 bilhões em investimentos.

O óleo diesel é outra frente que pode exigir mais capital. O plano atual prevê atender 85% da demanda brasileira em 2030, enquanto a gestão já indicou que pretende buscar a autossuficiência no próximo ciclo de investimentos.

“A autossuficiência em diesel parece ser um dos caminhos mais prováveis de alocação de capital para a companhia, dado seu maior alinhamento com o negócio central e a importância cada vez mais estratégica do abastecimento de diesel nos mercados global e doméstico”, afirmam os analistas.

Os projetos já previstos, porém, não seriam suficientes. O Itaú BBA estima que o déficit de oferta de diesel de baixo teor de enxofre no Brasil ainda ficaria em cerca de 170 mil barris por dia no início da próxima década. Nas contas do banco, alcançar a autossuficiência exigiria da Petrobras cerca de 175 mil barris por dia de produção adicional em relação aos projetos já contemplados no plano atual.

Se esse aumento vier de modernizações e ampliações das refinarias existentes, o capex incremental poderia ficar entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões. O banco considera difícil, porém, fechar toda a lacuna apenas com projetos brownfield.

Outra possibilidade mapeada é a Refinaria de Mataripe. Segundo o relatório, a Petrobras tem sinalizado interesse no ativo, mas condiciona uma eventual operação ao preço. O Itaú BBA avalia a refinaria entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões.

O mapa inclui ainda petroquímica, minerais críticos, etanol e distribuição. Na Braskem, o banco calcula que a Petrobras poderia desembolsar cerca de US$ 2 bilhões caso participe de um eventual aumento de capital para preservar sua atual participação minoritária.

Em minerais críticos, as discussões ainda estão em estágio inicial. Já o retorno ao etanol pode ocorrer por meio de participações minoritárias ou joint ventures, segundo o Itaú BBA.

Nem todas essas frentes, porém, têm o mesmo grau de maturidade e atratividade. Os analistas consideram que etanol, minerais críticos e distribuição de GLP exigiriam aportes relativamente menores, mas têm alinhamento percebido mais limitado com a estratégia central da companhia. “Esses são os investimentos que os investidores prefeririam que a Petrobras evitasse”, afirmam.

Mataripe e fertilizantes, por sua vez, enfrentam desafios econômicos e de governança na avaliação do banco. O Itaú BBA vê maior alinhamento estratégico na busca pela autossuficiência em diesel, principalmente se avançar por meio da ampliação e modernização das refinarias existentes. Já um eventual retorno à distribuição de combustíveis poderia exigir um desembolso maior e só ganharia espaço depois de 2029.



Fonte: NeoFeed

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