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O fim da taxa das blusinhas, sancionado pelo presidente Lula, deve acelerar a migração de empresas do setor têxtil para o Paraguai, onde os custos podem cair até 30%.
Edmundo Lima, diretor-executivo da Abvtex, afirma que 200 empresas já se mudaram para lá, e muitas outras, especialmente do Sul e Sudeste, estão considerando a mudança. A alta carga tributária e os custos de mão de obra no Brasil são fatores que impulsionam essa migração.
Além disso, a concorrência com o e-commerce internacional pode frear investimentos em lojas físicas, com uma expectativa de aporte de R$ 100 bilhões no varejo agora congelada.
A perda de arrecadação de impostos, que foi de R$ 5 bilhões em 2025, deve impactar negativamente as varejistas nacionais. O setor de vestuário já registrou uma queda de 8,2% na atividade econômica, colocando em risco mais de 800 mil empregos diretos.
A tendência é de redução nas vendas em datas importantes como Black Friday e Natal. A Abvtex planeja pressionar o governo por uma revisão da medida.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O fim da taxa das blusinhas, que permitia uma cobrança extra de 20% sobre produtos importados até US$ 50, sancionado na quinta-feira, 10 de setembro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai ampliar a saída de parte da indústria têxtil do Brasil. Nos últimos anos, 200 empresas abriram unidades no Paraguai.
A avaliação é de Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), entidade que representa as principais companhias do setor, incluindo as três gigantes Renner, Riachuelo e C&A.
“Muitas outras do nosso setor irão para lá, especialmente as que estão instaladas no Sul e Sudeste, mais perto da fronteira. A gente está exportando emprego, enquanto deveríamos gerar no Brasil”, diz Lima ao NeoFeed. “Esta sanção mostra uma escolha totalmente equivocada do governo.”
O fim da cobrança de uma alíquota federal produtos importados, principalmente de varejistas asiáticos, é um componente extra para algumas das companhias brasileiras do setor têxtil, que já tinham sobre a mesa a possibilidade de mudança de endereço de suas fábricas, a partir de um ambiente econômico considerado extremamente desafiador.
A alta carga tributária e os custos com a mão de obra já estavam entre as principais razões para a migração. A questão apontada pelo executivo da Abvtex é que, em território paraguaio, os custos podem cair perto de 30%.
Entre as que decidiram desembarcar no país estão a Lupo, de Araraquara, no interior de São Paulo. A empresa instalou um parque fabril em Ciudad del Este, em junho do ano passado, com investimentos de R$ 30 milhões.
A Karsten, empresa catarinense de cama, mesa e banho, inaugurou, em março deste ano, uma unidade na cidade de Guazú. Além da própria migração, a perda para a economia brasileira é dupla, já que, com o aumento da competição com o e-commerce internacional, boa parte dos investimentos para ampliação e revitalização de lojas físicas deve ser freado.
“No começo do ano, havia uma expectativa de aporte de R$ 100 bilhões no varejo, e criação de empregos. Estes investimentos estão congelados. Muitas empresas agora estão aguardando para entender ainda mais o impacto com este fim da cobrança da taxa”, diz Lima.
Outro ponto levantado pelo dirigente da associação do varejo têxtil é que a perda de arrecadação de impostos, por parte do governo federal, com o fim da taxa das blusinhas, deve alcançar também as varejistas nacionais.
No ano passado, a cobrança do imposto de importação garantiu aos cofres da União cerca de R$ 5 bilhões e, para 2026, a previsão era de chegar a R$ 7 bilhões. A questão é que, com a taxa, as lojas no Brasil garantiam um maior volume de receita e, consequentemente, de mais impostos.
“O governo abre mão desta arrecadação adicional que o varejo vinha tendo, justamente com a busca deste equilíbrio. Na medida em que esta concorrência desleal leva o consumidor a comprar nas plataformas internacionais, reduzindo as compras nas lojas brasileiras, elas recolhem menos tributo. É uma enorme perda”, afirma o presidente da Abvtex.
Esta queda já está presente nos números divulgados recentemente pela Confederação Nacional da Indústria). O setor de vestuário registrou queda de 8,2% na atividade econômica em julho, sobre o mesmo do ano passado, e já sob efeito da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, em maio.
“Isso já coloca em risco mais de 800 mil empregos diretos. Quando a atividade econômica cai, o empresário precisa reduzir custos para buscar equilíbrio financeiro. No nosso segmento, o primeiro custo a ser cortado é o da mão de obra”, afirma. “Não há consumo sem renda. E renda vem do emprego.”
O setor de moda e confecção no Brasil emprega 2,3 milhões de trabalhadores, somando indústria e varejo, em uma área que só perde para o funcionalismo público, em termos de mão de obra.
Com este novo cenário, a tendência, segundo Lima, é de reduzir o volume de vendas, principalmente nas datas mais importantes para o varejo de moda, como Black Friday, Dia das Crianças e Natal. “Vai ser muito desafiador atravessar essa fase. O governo Lula afetou o varejo e muitos outros setores. Mais de 90% das vendas no setor de moda fica abaixo de R$ 250.”
Até a primeira revisão da medida, programada para daqui a três meses, a associação pretende adotar uma pressão mais efetiva junto ao Planalto e Legislativo, além de cobrar uma fiscalização mais rigorosa sobre a qualidade dos produtos estrangeiros.
Depois desta análise, o governo se compromete a fazer avaliações do impacto econômico a cada seis meses. “É necessário corrigir urgentemente esta distorção. O que a gente quer agora é bom senso e racionalidade.”







