Ex-secretário de Educação José Aparecido Ribeiro Marin, aliado da gestão do ex-prefeito Luiz Dalben, é preso em nova fase da investigação da Polícia Federal
A prisão do ex-secretário de Educação de Sumaré, José Aparecido Ribeiro Marin, conhecido como “Zinho”, nesta quinta-feira (12), representa um dos desdobramentos mais contundentes da Operação Coffee Break, investigação conduzida pela Polícia Federal que apura um possível esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos da área da educação.
Zinho não era apenas mais um integrante da estrutura administrativa municipal. Ele foi secretário de Educação durante a gestão do ex-prefeito Luiz Dalben e considerado um dos nomes de maior confiança dentro da administração, responsável por uma das pastas com maior volume de recursos públicos da cidade.
A decisão judicial determinou prisão preventiva, medida aplicada quando a Justiça entende que a liberdade do investigado pode comprometer o andamento das investigações.
Operação mira contratos da Educação entre 2021 e 2025
Segundo a Polícia Federal, esta fase da operação se concentra em licitações realizadas pela Secretaria de Educação de Sumaré entre 2021 e 2025, período em que os investigadores suspeitam que processos públicos tenham sido manipulados para beneficiar empresas previamente escolhidas.
Os policiais federais cumpriram:
- 10 mandados de busca e apreensão
- 1 mandado de prisão preventiva
- medidas cautelares contra outros investigados
Além disso, a Justiça autorizou bloqueio de bens e afastamento de servidores públicos, medidas utilizadas para preservar provas e impedir a continuidade de eventuais irregularidades.

O ex´prefeito Luiz Dalben, com o Deputado estadual Dirceu Dalben e o ex-secretário, José Aparecido Ribeiro Marin, o “Zinho”
As diligências ocorreram em cinco cidades do interior paulista: Sumaré, Campinas, Jundiaí, Americana e Itu.
Entre os alvos está também a secretária de Finanças de Itu, Monis Marcia Soares, que passou a utilizar tornozeleira eletrônica por determinação da Justiça.
Suspeita de esquema estruturado
De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos até agora indicam a existência de um possível esquema estruturado para direcionamento de licitações públicas e desvio de recursos.
Os investigadores também analisam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de alguns investigados, o que pode indicar tentativas de ocultar valores provenientes de contratos públicos.
Entre os crimes investigados estão:
- corrupção ativa e passiva
- peculato (desvio de dinheiro público)
- fraude em licitação
- lavagem de dinheiro
- contratação direta ilegal
- organização criminosa
Somadas, as penas previstas podem ultrapassar 60 anos de prisão, dependendo da participação de cada envolvido.
Linha do tempo da Operação Coffee Break
Novembro de 2025 — 1ª fase da operação
A primeira etapa da investigação foi deflagrada com grande mobilização da Polícia Federal, incluindo 50 mandados de busca e apreensão e seis prisões preventivas em diferentes estados.
Entre os presos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, além do então secretário municipal de Educação, Fernando Moraes.
Dezembro de 2025 — decisão judicial
A prisão do vice-prefeito de Hortolândia foi posteriormente revogada pela Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que determinou medidas cautelares alternativas.
Fases seguintes
Com a análise de documentos, contratos e comunicações entre investigados, a Polícia Federal passou a aprofundar o foco sobre contratações realizadas na área de educação em Sumaré.
Março de 2026 — 4ª fase
A quarta fase marca um novo avanço da investigação, culminando na prisão do ex-secretário José Aparecido Ribeiro Marin, considerado um dos personagens centrais na apuração sobre o funcionamento do esquema.
“Café” como código para propina
O nome Operação Coffee Break surgiu a partir de mensagens analisadas pelos investigadores.
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos utilizavam a palavra “café” como código para se referir a pagamentos de propina durante as negociações envolvendo contratos públicos.
Fonte: G1.globo.com
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Edição: Douglas Melo









