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O freio recente dos veículos elétricos nos Estados Unidos tem sido atribuído, em geral, a fatores como preços elevados, infraestrutura insuficiente e mudanças regulatórias. Mas uma nova ação judicial apresentada pelo Estado de Michigan mostra que o buraco pode ser um pouco mais abaixo: a hipótese de que a transição energética não perdeu ritmo apenas por limitações de mercado, e sim por uma atuação coordenada da indústria do petróleo para atrasar deliberadamente a concorrência.
A procuradora-geral de Michigan, Dana Nessel, ingressou com uma ação antitruste federal contra BP, Chevron, Exxon Mobil, Shell e o American Petroleum Institute (API), principal entidade de lobby do setor. O processo sustenta que as empresas atuaram como um “cartel”, restringindo inovação, reduzindo a oferta de alternativas energéticas e mantendo artificialmente altos os preços da energia no estado.
Segundo o texto da ação, essa conduta teria afetado tanto o mercado de energia primária quanto o de transporte, ao dificultar a expansão de tecnologias renováveis e, de forma direta, o avanço dos veículos elétricos e da infraestrutura de recarga.
Com mais de 120 páginas, o processo descreve uma suposta estratégia de longo prazo para conter a adoção de tecnologias limpas. Entre as práticas apontadas estão o atraso deliberado na instalação de carregadores em postos de combustíveis, a postergação de projetos próprios de eletrificação e a promoção de campanhas de desinformação para desacreditar veículos elétricos e fontes renováveis.

O Estado afirma que, sem essa atuação coordenada, os carros elétricos teriam alcançado escala anos antes, reduzindo os custos de energia e evitando bilhões de dólares em gastos adicionais para consumidores e governos locais. Para Michigan, a permanência da dependência de combustíveis fósseis não decorre de sua superioridade econômica, mas da limitação artificial das alternativas.
O processo surge em um momento em que o setor automotivo norte-americano volta a reforçar investimentos em motores a combustão, após mais de uma década de expansão acelerada dos projetos elétricos. Montadoras como Ford, General Motors e Stellantis já anunciaram revisões em seus cronogramas, alegando “escolha do consumidor” e demanda abaixo do esperado.
Esse movimento ocorre em paralelo ao endurecimento do discurso político contra os EVs nos Estados Unidos. A atual administração federal reverteu regras de eficiência energética, cortou subsídios à infraestrutura de recarga e eliminou créditos fiscais para carros elétricos, reforçando a agenda de apoio ao petróleo e ao gás natural.

Foto de: Motor1.com
Nesse ambiente, a tese de Michigan ganha peso simbólico: a de que o recuo dos carros elétricos não é apenas conjuntural, mas resultado de uma disputa estrutural entre modelos energéticos.
A American Petroleum Institute classificou o processo como “infundado” e afirmou que a política energética deveria ser definida pelo Congresso, e não por tribunais. Já a Chevron declarou que ações semelhantes foram rejeitadas por cortes em diversos estados e que Michigan continua altamente dependente da indústria fóssil para sustentar empregos e sua própria cadeia automotiva.
Ainda assim, a ação representa um marco. Embora outros estados já tenham processado empresas de energia por danos climáticos, esta é uma das primeiras tentativas de enquadrar a indústria do petróleo sob a ótica do direito antitruste, ligando diretamente sua atuação à desaceleração dos veículos elétricos.

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Mesmo que o processo não avance, ele formaliza, em linguagem jurídica, algo que há anos circula nos bastidores da indústria: a transição energética não está sendo moldada apenas por tecnologia, custo ou preferência do consumidor, mas também por forças econômicas que têm muito a perder com a eletrificação em larga escala.
Michigan, berço de parte da indústria automotiva americana, acaba se tornando o palco de um debate maior. Não apenas sobre quem vende energia, mas sobre quem, de fato, controla o ritmo da mudança. E isso não é exclusividade dos Estados Unidos…
Fonte: InsideEVs
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Fonte: UOL









