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FAW vira símbolo da nova China

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Fundada em 1953 com apoio da União Soviética, quando a China ainda dava seus primeiros passos bem antes de se tornar uma potência industrial, a FAW acaba de colocar em testes um SUV elétrico equipado com bateria de estado sólido. O feito, que envolve células de 380 Wh/kg e eletrólito sulfeto, vai muito além de um avanço técnico: ele simboliza a transformação de um país que saiu de uma economia agrária e dependente de tecnologia estrangeira para a vanguarda global do automóvel.

Quando a República Popular da China foi proclamada, em 1949, o país herdou uma estrutura produtiva frágil, baixa motorização e enorme dependência externa. O automóvel, naquele momento, não era um objeto de consumo, mas um instrumento de soberania. Ter uma fábrica nacional era uma decisão política, não econômica.

Foi nesse contexto que nasceu a FAW – First Automotive Works. Criada em 1953, com apoio técnico e organizacional da União Soviética, a empresa simbolizava o projeto de industrialização socialista. Suas primeiras linhas de montagem produziam caminhões Jiefang, derivados de modelos soviéticos, destinados ao Estado, às obras de infraestrutura e ao Exército. 



Foto: FAW Jiefang CA10 em exposição histórica, licenciado sob CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Foto: FAW Jiefang CA10 em exposição histórica, licenciado sob CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Foto de: Wikimedia Commons

Sete décadas depois, essa mesma FAW, considerada a mais antiga montadora chinesa, está testando baterias de estado sólido em veículos reais. O primeiro protótipo, um Hongqi Tiangong 06, SUV elétrico da marca de luxo do grupo, saiu de uma linha piloto equipado com células de 66 Ah, densidade energética de 380 Wh/kg e eletrólito sulfeto com condutividade superior a 10 mS/cm.

A bateria também passou por testes de segurança extrema, incluindo exposição a 200°C sem apresentar risco de fuga térmica. Em termos práticos, trata-se de um patamar que ultrapassa com folga as baterias de íons de lítio atuais, normalmente na faixa de 180 a 250 Wh/kg.

O projeto também marca a entrada formal da FAW na fase de testes em veículos reais, após um ciclo de 470 dias que envolveu células de diferentes escalas – de 10 Ah a 66 Ah – e avanços não apenas na química, mas também em encapsulamento de módulos de alta tensão e integração leve do sistema. Nos últimos três anos, os investimentos da empresa em pesquisa na área cresceram, em média, 8,6% ao ano.



Hongqi Tiangong 06

Foto de: EV AutoHome

Durante décadas, o modelo chinês foi o de aprender com o mundo. Após as reformas de 1979 e a partir dos anos 1980, a FAW e outras estatais firmaram joint ventures com Volkswagen, Toyota, GM e outras marcas globais. O objetivo era claro: absorver processos, métodos e engenharia das montadoras ocidentais já estabelecidas. Foi uma fase de acumular conhecimento e se preparar para o próximo grande passo. 

A virada começa de forma mais clara nos anos 2010, quando o governo passa a tratar o carro elétrico como projeto estratégico nacional. O ponto de partida era a questão urgente de reduzir as emissões, mas não apenas isso, e sim criar uma nova base industrial, menos dependente de motores a combustão, patentes estrangeiras e cadeias produtivas tradicionais. 

É nesse ambiente que a FAW retoma o protagonismo tecnológico. O grupo pesquisa baterias de estado sólido desde 2014 e, em 2019, apresentou seu primeiro módulo padronizado no formato VDA. Agora, com o início dos testes em veículos, o projeto deixa o laboratório e entra na fase mais crítica: a validação em uso real.



Hongqi Tiangong 06

Foto de: EV AutoHome

Segundo a própria empresa, após os testes de confiabilidade ao longo de 2026, a tecnologia deverá equipar modelos de maior valor da Hongqi em pequenas séries até o fim de 2027. A expectativa é de produção em escala a partir de 2030, com redução de custos superior a 50%, marcando uma nova fase para os carros elétricos. 

A bateria de estado sólido da FAW não é apenas um componente mais eficiente. Ela carrega uma mudança de mentalidade. Durante décadas, a lógica chinesa foi a de absorver tecnologia e reduzir a distância para quem já estava à frente. Agora, pela primeira vez, a disputa acontece no terreno do “primeiro a chegar”.

Quando engenheiros da FAW falam em eletrólito sulfeto, condutividade acima de 10 mS/cm ou em células de 380 Wh/kg, o que está por trás não é só um número de ficha técnica. É a constatação de que a China deixou de correr atrás e passou a escolher o caminho. A FAW não está tentando provar que consegue fazer uma bateria melhor. Está tentando garantir que, na próxima década, não dependerá de ninguém para definir o coração de seus carros elétricos, assim como outras montadoras chinesas nessa corrida.

Não por acaso, essa corrida acontece justamente em um país que construiu sua indústria copiando modelos estrangeiros e, por muitos anos, aceitou esse papel. O estado sólido surge, nesse sentido, como um ponto de ruptura: não é uma evolução natural do que já existia, mas uma nova largada.

Em pouco mais de sete décadas, a China saiu de uma economia majoritariamente agrária, com infraestrutura limitada e dependência externa, para um dos centros mais avançados de desenvolvimento tecnológico do mundo. O que começou com planejamento central, apoio da União Soviética e produção para o Estado agora se traduz em software, baterias, semicondutores e veículos definidos por código.

Quando uma empresa criada em 1953 testa hoje uma bateria que promete redefinir a próxima geração de carros elétricos, não se trata apenas de um novo produto, mas de um novo papel no mundo. Isso não é apenas sobre baterias, carros elétricos ou tecnologia, significa algo maior…

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Fonte: UOL

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