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Geely mira os EUA e avalia produzir Zeekr na fábrica da Volvo

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Durante a CES 2026, em Las Vegas, a Geely Holding Group voltou a sinalizar de forma mais clara seu interesse em entrar no mercado automotivo dos Estados Unidos. Em entrevista concedida à Autoline Network, o grupo chinês indicou que uma decisão oficial sobre essa expansão pode ser anunciada dentro de um prazo de dois a três anos, com Zeekr e Lynk & Co apontadas como possíveis marcas para essa estreia. A estratégia, no entanto, passa por um elemento-chave: a produção local como forma de contornar tarifas e restrições regulatórias.

No vídeo intitulado “Geely to Enter US Market – CES 2026”, Ash Sutcliffe, vice-presidente de comunicação da Geely Holding Group, afirmou que os Estados Unidos continuam sendo um dos mercados automotivos mais relevantes do mundo, mas destacou que qualquer entrada deve ser vista como um movimento de longo prazo. Segundo ele, a Geely não se enxerga como uma montadora “chinesa”, e sim como um grupo automotivo global, com presença já consolidada em mercados ocidentais por meio de marcas como Volvo, Polestar, Smart e Lotus.

A menção direta a Zeekr e Lynk & Co chamou atenção porque ambas são marcas mais recentes do portfólio do grupo e fortemente associadas à nova geração de veículos eletrificados e definidos por software. Questionado sobre as barreiras impostas pelos Estados Unidos à importação de veículos produzidos na China, Sutcliffe indicou que a Geely avalia diferentes caminhos, incluindo a fabricação local. Nesse contexto, a fábrica da Volvo na Carolina do Sul foi citada como uma opção natural, já que o grupo detém participação relevante na marca sueca e possui experiência industrial e regulatória no país.

Além das tarifas, outro ponto sensível é o escrutínio crescente do governo norte-americano sobre tecnologias embarcadas, conectividade e tratamento de dados em veículos de origem chinesa. Sutcliffe minimizou esse obstáculo ao afirmar que a Geely já opera sob diferentes regimes regulatórios ao redor do mundo, como o GDPR europeu e legislações estaduais nos próprios EUA, e que estaria preparada para adaptar seus sistemas às exigências locais.



Lynk & Co 08 (7)

Foto de: Lynk & Co

As declarações da Geely ocorreram em um momento em que a CES tem se consolidado menos como um salão do automóvel tradicional e mais como uma vitrine de tecnologias ligadas a software, inteligência artificial e direção autônoma. Nesse ambiente, diversas empresas chinesas – tanto montadoras quanto fornecedoras de tecnologia – buscaram reforçar seu papel nas cadeias globais de valor, especialmente em áreas como cockpits digitais, sistemas de percepção e plataformas de condução assistida.

A intensificação da concorrência no mercado chinês também tem acelerado a internacionalização das montadoras do país. Nos últimos anos, marcas chinesas avançaram rapidamente sobre a Europa, Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina. Os Estados Unidos, porém, seguem como o mercado mais complexo, combinando políticas comerciais restritivas, forte pressão regulatória e um debate geopolítico cada vez mais presente no setor automotivo.

Nesse cenário, o contraste com o Brasil é evidente. Enquanto a entrada nos EUA ainda está em fase de avaliação estratégica, a Geely já opera de forma concreta no mercado brasileiro. O grupo vende atualmente marcas como Volvo e Zeekr no país, além de ter anunciado recentemente uma parceria industrial com a Renault, que irá ampliar sua presença aqui, inclusive, com produção local ainda em 2026. A chegada da Lynk & Co ao Brasil está prevista para este ano, reforçando a aposta do grupo em mercados considerados mais abertos à competição internacional no segmento de veículos eletrificados.

Essa diferença de abordagem sugere que o Brasil tem funcionado como um mercado de consolidação para a Geely, enquanto os Estados Unidos exigem uma solução mais complexa, baseada em produção local e adaptação regulatória profunda. A estratégia lembra movimentos adotados anteriormente por montadoras japonesas e coreanas, que só conseguiram escalar sua presença nos EUA após estabelecer fábricas no país.

Até o momento, a Geely não anunciou cronograma oficial, modelos homologados ou qualquer pedido regulatório para venda direta de veículos Zeekr ou Lynk & Co nos Estados Unidos. As declarações feitas na CES 2026 indicam intenção estratégica e preparação de terreno, mas não configuram ainda uma decisão definitiva. Ainda assim, o fato de o grupo mencionar publicamente um horizonte de dois a três anos para um anúncio formal reforça que o tema passou do campo especulativo para o planejamento concreto.

Para o mercado global de veículos elétricos, a eventual produção de modelos chineses em solo americano representaria uma mudança relevante no equilíbrio competitivo. Para o Brasil, por sua vez, o movimento reforça a posição do país como um dos principais destinos da expansão internacional da Geely fora do eixo China-Europa, com impactos diretos sobre oferta, tecnologia e concorrência no segmento de eletrificados.

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Fonte: UOL

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